| Saudade - mistérios e contradições |
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Falar de Saudade nunca foi uma coisa fácil, principalmente em função da subjetividade da palavra, que tem a pretensão de ser um "Sentir falta" super carregado de romantismo tropical, mas, por gerações e gerações, vem as pessoas falando de saudade e tentando interpreta-la a pessoa ausente. Mas é muito mais difícil descreve-la ou representa-la do que senti-la por toda a alma. Não tenho a pretensão de fazer milagres e nem mesmo de reinventar o conceito de descrição, mas sou obrigado a dizer que divido com estes milhares de anônimos a mesma paixão exasperada por este vocábulo tão inconsistente no mundo físico e tão material no meu espirito. Sentir saudades, É ouvir um nome, Sussurrado entre os sons, Das batidas ritmadas, Do próprio coração, E por mais insubstancial, Que venha a ser o objeto, Tão mais profunda, É o dito sentimento, Ou a citada sensação. Sinto saudade à brasileira, Remoendo e temperando, Os segundos solitários, Com um doce e quente, Sabor de pimenta. A saudade tem características próprias, direção própria e sentido, diria talvez meu professor de física, ser ela um vetor, se também não tivesse o mesmo, com toda certeza, um dia sentido-a e percebido ser ela inominável, sim inominável, pois mesmo a palavra saudade, deve ser na verdade, um apelido carinhoso, para algo que não podemos denominar a não ser com um tom de voz ou um brilho no olhar. Sentir saudade é como chorar sorrindo, ou sofrer gostoso, com toda a confusão que estas ambigüidades podem causar a um pobre ser despreparado, o que não deve ser raro, visto que somos pequenos enquanto a saudade, é complemente gigantesca. Não sendo alias unicamente dirigida a terceiros, pois pode-se, e é comum, sentir-se saudade de si mesmo, de suas lembranças quanto a o que já foi um dia, distante ou vizinho do dia de hoje ! Mas não existe coisa mais gratificante do que sentir saudades, pois se ela tem o gosto amargo da ausência, também guarda em si toda a luz luxuriante da possibilidade do reencontro, e só que encontro algo que perdia-se nas brumas insensíveis da distancia, física e temporal, pode reconhecer como é bom reencontrar, a profundidade e o gigantismo de matar a saudade, esta coisa tão viva, que sobrevive em seu inusitado habitat : As dobras dos músculos e tubos do nosso coração. |